BL - Diário de Erika 16  

Posted by Diego Erik in



Sessão 16



Diário,

Eu gosto de viajar. Realmente gosto. Parece que o tempo passa mais rápido e que as preocupações são menores. Os problemas parecem mais simples e as coisas pelas quais eu me angustiava quando estava parada parecem ser somente empecilhos num caminho maior.

Gosto também de ver lugares e culturas diferentes. Confesso que muitas vezes tenho dificuldade em absorver ou mesmo entender a cultura de outros povos, e isso muitas vezes dificulta minhas andanças. Suponho que seja algo corriqueiro para viajantes.

Um dos povos que tive dificuldade são os Orokul. Confesso que jamais me interessei pela cultura deles. E embora eu tente lutar contra o preconceito de que eles são brutos e burros, consigo compreender perfeitamente o porque as pessoas os vem assim.

Deve ser a segunda ou terceira vez que estou em Voltar. A terra das bruxas é um lugar que sempre me falaram para estar longe, e agora sei porquê. Caçadores Orokuls espreitando nas arvores e preparados para atirar em qualquer um que cruzar linhas imaginaras de território. Eles realmente não são bons em fazerem amigos.

Já conheci outros Orokuls antes. Tenho inclusive bons amigos entre eles. Mas nas terras deles, nas cidades deles... as coisas são diferentes.

Chegamos a este clã dos Senhores dos Céus e já fomos hostilizados por não respeitar uma cultura que não conhecemos. Se bem que é verdade que em todas as terras as pessoas são hostilizadas por desrespeitar culturas, aqui ninguém foi capaz de nos explicar nada, e não existiu a tolerância aos erros dos estrangeiros que terras mais cosmopolitas tem.

Ser Helgraf passou uns mau bocados ao tentar compreender as formas estranhas que estes Orokuls fazem as coisas. Segundo ele, quase fomos expulsos com flechas em nossos joelhos porque uma das caçadoras não teve o bom espirito de apresentar o Espirito da Primavera que foi entregue a ela.

A contadora das histórias, ou guardiã do conhecimento, não lembro o titulo, nos falou que estávamos impedidos de falar com os Augures e com o chefe da tribo. Se eles quisessem falar conosco, o fariam eles mesmos. Deixou claro que a apresentação do fetiche nos garantia tolerância temporária de 3 dias. Não consigo entender esta... Hospitalidade. Em Brzengard nos é ensinado a tratar visitantes com honras e companheirismo, não a deixa-los em um canto torcendo para que vão embora.

Outras terras, outros costumes.

Deixaram uma moça Orokul para cuidar de nos, e ela nos explicou algumas cosias sobre a tribo local. Ela falava um thenal meio tosco, mas dava para entender. Ela nos conta o porque o clã dela estava em guerra com o clã dos Punhos Sangrentos, e nos fala da ave sagrada deles que é como uma mascote, só que mais espiritual e com um significado místico.

Dizem que é um condor, o que diabos seja que for um condor. Pela descrição da Lady Annika, entendi que são como pavões gigantes carecas e carnívoros.

Quando perguntamos como poderíamos falar com o chefe de guerra ou os augures, foi nos dito que precisávamos provar nosso valor. Isso era feito mostrando nossa utilidade. Os Orokuls parecem um provo prático nisso.

Em fim, irei dormir um pouco.

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Diário,

A senhorita Lavinia caminha e fala nos sonos. Não é um pesadelo, mas algo como um sonambulismo. Ela grita e chama por um Joseph e depois vai dormir como se nada acontecesse. Eu pressinto que o ser Helgraf ficará de olho nela.

A senhoria Lavinia é uma bruxa. Ela pode falar o que quiser de que ela manifesta a magia de forma diferente ou qualquer outra coisa. O fato é que ela é uma bruxa e sua presença é as vezes bastante intimidante para todos nos. Não consigo culpar Helgraf, que dedicou sua vida a caçar bruxas, ou Lady Annika que não vê com bons olhos este abuso da magia.

Espero que a animosidade pare, e que a senhorita Lavinia pare de hostilizar Lady Annika, me hostilizar ou mesmo ao ser Dominic. Ela, intrinsicamente, já tem bastantes coisas contra si para se dar o luxo de erguer o tom contra alguém em uma conversa até então civilizada.

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Diário,

Acordei hoje com um sonho estranho. Os gritos da senhorita Lavinia ficaram nos meus sonhos e se misturaram com gritos estranhos e aterradores.

Os meus companheiros já se acostumaram a me ver acordar em pesadelos. Para eles parece normal. Para mim, todas as noites é uma nova experiência aterradora. E embora esteja me acostumando a ideia de que vou dormir mal e acordar pior ainda, é um pouco... Chato que eles achem que isto é normal.

Em fim, decidimos neste dia que tentaríamos nos fazer uteis e conseguir o respeito destes Orokuls para ter as informações do sacerdote ou até se precisar passar por suas terras novamente, possamos fazê-lo em paz.

Tentamos compartilhar um pouco dos nossos conhecimentos e compartilhar um pouco das tradições deles. A senhorita Lavinia tentou mostrar a eles como se caça em Kerra e participou de uma caçada com alguns caçadores. Sabe, coisas de caçador como compartilhar dicas ou mostrar uma e outra coisa. Não sei bem. Em fim, ela falou que os Orokuls estavam mais pela curiosidade que pelos interesse e que debocharam de suas técnicas de caça.

Ser Helgraf e a senhorita Annika foram tentar ensinar algumas coisas de comercio para os locais, para ajuda-los. Eles me disseram que era para ensinar algumas palavras chave e como medir a valorização dos bens e um monte de outras coisas que eu realmente não entendo sobre comercio. Mais uma vez, os Orokul debocharam dos ensinamentos e os consideraram inúteis.

Eu com Dominic fomos tentar falar com os guerreiros da tribo. Eles me perguntaram quem era eu e comecei a contar uma história que passei de Aveshai. Pensei que isso chamaria a atenção deles, mas parece que não. Este povo é tão cheio de si mesmo que é incapaz de entender que há um mundo além de suas malditas arvorezinhas em que coisas acontecem e coisas são aprendidas.

Sequer foram capazes de mostrar um pouco de empatia com estrangeiros que tentam participar e conhecer mais de sua cultura. Para eles somos mais um bando de viajantes e sinceramente entendo porque os Dakhani desistiram de tentar civilizar estas terras.

Como diabos vamos tentar mostrar a urgência de nossa empreitada se somos proibidos de falar com aqueles que compreenderiam ela?

Há um certo paralelismo entre tentar falar com a Raina Rosália e tentar falar com o chefe desta tribo. Os dois eram inancançavel. Daquela vez, em Khain, Luna e Lindriel me convenceram a manter o perfil baixo e talvez esse foi nosso erro. Agora, eles não nos conhecem.

Eu sinceramente prefiro falar com padeiros e ferreiros e pessoas normais, se me dessem escolha. Mas agora não tenho tempo para isso. Preciso falar com reis e chefes de guerra e preciso que eles me escutem. Que pelo menos escutem o que o mundo está passando e que se não quiserem me ajudar, pelo menos que não me atrapalhem.

Eles não são obrigados a me conhecer ou mesmo me atender, do mesmo jeito que eu não faço ideia quem são os heróis e chefes dos clãs deles. Mas uma disposição maior para com estrangeiros em uma viagem claramente perigosa seria ótima. Sabe um pouco de predisposição em ajudar aqueles que estão em uma empreitada corajosa, como ensina o Grande Lobo.

Eu não tenho nenhuma intenção de ficar brigando com Orokuls ou me intrometendo na politica deles. Eu queria somente poder entrar, obter algumas informações básicas, e poder transitar pelas terras deles sem medo de ser atacada por algum caçador maluco. É muito pedir?

Em fim, foi um fracasso.

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Diário,

Ser Dominic passou a noite inteira pensando em formas de como poderíamos nos fazer entender pelos Orokuls. O senhor Volksar, como de costume, reprimiu diversas das nossas iniciativas. Ele parece ser um homem mais sensível às nuanças culturais de outros povos. E como tal, adoraria que estivesse mais disposto a nos ajudar.

Em fim, ser Helgraf e ser Dominic fizeram os Orokuls participarem de uma brincadeira ou treino comum na ordem do dragão. Era aquele de ficarem se empurrando para ser derrubados. Brincaram com alguns jovens e dizem que passaram uma boa tarde com eles, mas em ultima instância os Orokuls não valorizaram isto também.

Por outro lado, acompanhei a senhorita Lavinia e o senhor Volksar e caçamos um warg malhado. A senhorit aLavinia preparou uma interessante armadilha com algumas ervas e carne e não foi difícil abater a criatura. Fiquei com dó dela. Levamos a nossa caça para o chefe dos caçadores e nos felicitou por ela, e demos o fígado do warg ao condor.

E condores são muito feios. Parecem pavões gigantes carnívoros e carecas. Parecem bicos de machado com assas maiores e patas menores. Na verdade eles são menores que bicos de machado. O senhor Volkar me afirma que eles voam, mas não acredito nele, não acho que um pássaro tão grande consiga voar.

A nossa caça parece ter agradado a alguns Orokuls, mas nenhum deles pareceu especialmente impressionado com nosso feito.

A senhorita Lavinia tem a ideia de apresentar a eles o Sangue de Porco. Eu não lembrava o que era, e me recordam que é um jogo horrível em que um porquinho é jogado a furões esfomeados. Fico feliz que a ideia não tenha vingado. Eu já não fiquei muito feliz com a caça do warg, realmente não gostaria ter que matar mais animalzinho para tentar deixar este povo feliz.

Ser Dominic teve a ideia de tentar ensinar algo pratico a eles, como polias. O que desencadeou a uma longa e confusa conversa de onde eles tiravam a madeira para construir suas casas e pontes, o que nos garantiu uma reprimenda de um mal humorado senhor Volksar.

Em fim, não conseguimos entender o que estes Orokuls valorizam. Não conseguimos basicamente nenhum avanço em tentar nos tornar mais aceitos por este povo.

Então Volksar me conta que ele descobriu que os Augires podem ser pessoas possuídas. Este é a gota que me faltava.

Além de não conseguirmos nada deles, ainda são comandados por pessoas possuídas? Não consegui mais tolerar isso, era melhor irmos embora. Nada de bom pode vir de pessoas que são possuídas por espíritos, independente do que Lavinia ou Volksar falem. Eles não entendem. Espíritos não podem ser medidos por padrões mortais. Espíritos tem tanta dificuldade em agir com os mortais como nos temos em entender eles.

Nem vou tocar no fato do Volksar tentar me dar uma lição sobre o que é um espirito e o que é um demônio. Como se não fosse exatamente por isso uma das coisas que sou conhecida. Parece que o homem tem um prazer sádico em ser desagradável.

Em fim. Recuso-me a ficar mais neste lugar. Não estamos indo para nenhum lado tentando agradar esta tribo. Certamente será mais fácil conseguir ajuda com minhas amizades no clã do Sabre Sombrio, ao sul. Pelo menos seremos recepcionados por um orokul que me conhece e que conhece o mundo de afora de Voltar.

Lavinia novamente teve um surto de histeria porque não insistimos em falar com os chefes. E porque eu “não entendia” a relação que os demais povos tem com espíritos. Sinceramente, não em sinto a vontade para ficar relativizando o meu saber de espíritos. Especialmente porque eu já vi e já senti em pele o mal que eles podem fazer. Não deixarei de ser precavida.

Fomos falar com a Orokul que estava nos guiando. Ela nos serviu sopa e falou que se queríamos falar com o chefe ou com a contadora de história era só ir. Como se fosse tão fácil.

Em fim. Vamos partir amanha de manha rumo as mais pro terras do oeste. Estava hora.

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Diário,

A viagem até agora tem sido cansativa, mas também divertida. Pelo menos eu acho. E acho que sou a única que acha. Em fim.

Tivemos um acidente. Meu lagarto de montaria foi devorado por areias movediças e a Lady Annika perdeu muitos dos seus pertences, que afundaram junto. Ser Helgraf muito atenciosamente nos cedeu sua montaria. Ele insistiu que eu montasse, pois sou a matriarca e tudo aquilo. É um pouco desagradável que ele e o ser Dominic insistam tanto em cuidar de mim, como se estivesse doente. Apesar de que admiro o cavalheirismo dos dois.

Em fim, sem mais um lagarto, vamos demorar mais... São terras perigosas e nos esforçamos para não chamar a atenção de tribos Orokul que possam ser violentas e nos proteger dos perigos naturais de Voltar. Existem diversas ruinas Qesir muito antigas, e diversos animais selvagens famintos.

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Diário,

Aconteceu algo estranho hoje. Estávamos sentados ao redor da fogueira quando sentimos algo se mover ao longe. A senhorita Lavinia, que consegue enxergar longe, percebeu rapidamente. Ser Helgraf chamou a criatura em Voltier. Acho que ele imaginou que era um Orokul nos espreitando, mas a sombra sumiu.

Dai apareceu no meio do fogo. Eu achei que era um espirito, mas o senhor Volksar me parou a tempo. Era como se fosse um feiticeiro falando do fogo, em Silari. Provavelmente um Qesir ou algo assim. Ele nos disse que era o Senhor do Fogo alguma coisa. Eu realmente sou muito ruim com Silari. Não lembro das palavras.

Bom, o feiticeiro pediu para que intervíssemos a seu favor contra uma tribo Orokul que tinha roubado um artefato dele. E era para contatar em dois dias se estivéssemos interessados na amizade que nos oferecia. Vamos pensar.

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Diário,

Foi magnifico. Uma fada! Um membro do povo antigo, bem perante meus olhos. Acho que deve ser a segunda ou terceira fada que vejo. Elas são sempre magnificas. Como os Qesir, só que diferentes. Mais... etéreos, mais parecidos a espíritos que a nós, seres de carne e osso.

E era uma fada belíssima, como elas normalmente são. Eles parecem fisicamente com os Qesir, mas são mais altos, mais fortes. Seus olhares são diferentes, mais poderosos e menos cansados que a da maioria dos Qesir. Mas vivos. São mais bonitas também, com os homens sendo bonitos e as mulheres mais voluptuosas e belas.

A senhora do fogo, como ela se apresentou, falou para nos que as terras de Voltar eram delas antes de serem dos Orokul, e que os Orokul tinham roubado deles um artefato que queriam de volta, mas não poderiam faze-lo sozinhos.

Em troca, eles iriam nos ajudar a achar o sacerdote de Nayurai. Eles afirmaram que saberiam onde encontra-lo!

Nós aceitamos ir ao lar deles, que ficava ao Norte. Pelo menos para escutar o que eles tem a nos falar. Não quero me envolver em politicas Orokul, mas também não desejo ficar procurando o sacerdote por toda Voltar, enquanto ele é perseguido por cultistas malucos e aberrantes.

A Senhora do Fogo se despede e deixa uma forma de achar o seu lar, que era uma pedra vermelha e bonita no meio do fogo. Queimei minha mão quando peguei ela, mas porque estava quente. O senhor Volksar afirma que logo ela esfriará.

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Diário,

Nossa viagem tem sido um pouco melhor. Ao que parece, as fadas que moram neste lugar estão nos ajudando a encontrar comida e frutos. Ainda é árdua a viagem, mas pelo menos estamos comendo bem.

Todos nos já vimos uma figura na forma de uma Orokul se movendo de forma estranha e sobrenatural no meio da floresta. Claramente não era um Orokul...

Ao que parece, o povo antigo cuida de seus amigos. Não sei se queria ser inimigo de uma.

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Diário,

A sorte voltou a nos sorrir. Encontramos um druida Orokul, ou algo parecido. Algo antigo que na verdade nenhum de nos sabe o que é. Ele decidiu nos ajudar e está guiando nossos caminhos de longe. Segundo a senhorita Lavinia estamos cortando caminho e nos movendo muito mais rápido do que deveríamos em condições normais. Que coisa estranha.

Voltar realmente é um lugar estranho!

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Diário,

Estamos chegando ao lar do povo antigo. A senhorita Lavinia descobriu como fazer funcionar a pedra. Ela faz um faixo de luz do sol mostrar o caminho. Não sei se é magia ou se um artificio, mas a Lady Annika ficou maravilhada com a peça.

Espero que dê tudo bem com as fadas. 




This entry was posted on sexta-feira, novembro 20, 2015 at 20:28 and is filed under . You can follow any responses to this entry through the comments feed .

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