Contos - A Longa Viagem  

Posted by Diego Erik in

A longa viagem

07 de Ha de 349 da EC
A morte de meu pai trouxe várias lembranças às quais fui obrigado a esquecer. Este ano está sendo particularmente ruim para mim, pois grande parte do que planejei e criei como objetivo foi interrompido com a missão que me incumbiram. As meninas que eu acompanhava necessitavam de ajuda, e isto eu não poderia negar. Não era uma ajuda para criar um time, como acontece em muitos casos. Elas se conheciam muito bem, sendo que cada uma conhecia o defeito da outra e consideravam-se irmãs. A ajuda da qual me refiro, era uma ajuda pontual, alguém que indicasse a elas o caminho correto a seguir e até onde ir.

E eu tentava, mas às vezes eu achava que minha opinião de nada valia para elas. Entretanto, tudo isto mudou com a notícia que eu havia recebido. Aquela carta já descansava em minha bolsa há muitos meses e eu talvez nunca tivesse o interesse em lê-la, principalmente porque em meu tempo de folga dedicava-me a conhecer melhor aquelas meninas por quem compartilhava os últimos meses.

Eis então que eu abri aquela correspondência, a qual já estava começando a ficar amarelada do tempo que ficou guardada e esquecida. A notícia preencheu minha mente com uma profunda tristeza, misturado com raiva e desapontamento. O escrivão de minha cidade natal, amigo de longa data de minha família e meu pai, havia escrito que meu pai tinha morrido já fazia mais de duas semanas atrás da assinatura da carta, e que eu, único herdeiro dos bens deixados, deveria comparecer o mais breve possível à cidade e verificar o que iria fazer com o que foi deixado de herança pela morte de meu pai.

É por este motivo então que eu, em conjunto com minhas companheiras de grupo, decidi que nós teríamos 30 dias para resolvermos nossas pendências e depois partirmos para concluirmos nossa missão. Assim, parto hoje até minha cidade natal, em uma rota que tracei e que poderá me poupar alguns dias de caravana.

É certo que o caminho até Irritarria é simples, com estradas pavimentadas e caminhos que auxiliam qualquer um a utilizar de carruagens e cavalos até a grande cidade, e que no caminho, razoavelmente patrulhado e vigiado, seria fácil encontrar tavernas e estalagens para se estabelecer durante a empreitada.

No entanto, o que realmente me intriga é o caminho a seguir depois de Irritarria. Pelos mapas que eu já fiz, comprei e o que eu visualizei, eu não encontrei nenhuma rota rápida e segura até o reino gélido do norte. E eis aqui o grande problema, que eu acredito ter a melhor solução esquecer qualquer mapa e criar uma rota alternativa pelo meio da floresta, vales, pântanos e campos. Tomara que eu esteja certo e a viagem seja rápida.

09 de Ha de 349 EC
Minha teoria estava certa sobre isto. Hoje eu cheguei a cidade de Irritarria e não tenho nenhum caminho bom para seguir daqui em diante. Cortar caminho é a melhor alternativa para conseguir completar minha rota até minha cidade natal no reino do Império de Brrzengard. Seguir caminho em caravanas, como inicialmente havia cogitado, poderia me custar preciosos dias, os quais provavelmente eu não conseguiria recuperar e que poderia acabar atrasando as meninas em sua viagem.

Por este motivo, enquanto eu descansava na última cidade murada e protegida nos limites dos reinos de Irritarria, decidi traçar uma rota que iria me poupar preciosos dias de viagem. Tal rota não é abordada por mapas, então terei que adentrar pela mata e desbravar lugares pelos quais nunca estive ou sonhei em estar.

Não somente isto, eu acredito também que sou mais rápido e me sinto mais seguro sozinho, do que acompanhando uma caravana até o meu destino. Tenho certeza que minha capacidade técnica e conhecimento prático podem me auxiliar a sobreviver no meio da floresta durante alguns dias, sem maiores problemas.

Hoje eu decido que irei partir em direção ao norte sozinho, e que correrei até minhas pernas não aguentarem mais, adentrando dentro de matas, selvas, vales, planícies, pântanos e qualquer outro tipo de terreno que possa existir. Quando minhas pernas cansarem, é então que irei parar para recuperar minhas forças e se necessário dormir um pouco.

Estou decido a isto, e tenho certeza que conseguirei chegar até casa de meu pai e resolver todos os meus problemas antes do fim combinado com as meninas.

Lógico que antes, no entanto, eu vou beber nesta cidade algumas garrafas de um bom vinho e compartilhar a minha cama com uma boa cortesã, pois acredito que os próximos dias serão dias em que não terei contato com muitas outras pessoas, e isto também será o responsável em testar minha sanidade mental.

Ora, pois mesmo estando inúmeros anos em meio a florestas e campos junto com os rangers, eu sempre estive acompanhado, nunca sozinho, e isto sempre me ajudou a manter minha sanidade mental e a de meus colegas, apesar de alguns parecerem ser doentes e que a minha presença em nada iria mudar este fato.

Ah, outra coisa interessante que pensei nestes últimos dias foi de escrever um livro sobre as regiões as quais estive, visitei ou estudei sobre. Talvez este seja um modo de manter minha eternidade neste plano, com a criação deste livro que apresenta o estudo geográfico de regiões as quais estive e realmente pude constatar o que era possível encontrar ali.

Tomara que as pessoas gostem.

10 de Ha de 349 EC

Hoje eu segui pela rota que tracei e felizmente não tive nenhum problema durante as horas que alternei entre marcha forçada e caminhadas. Durante o caminho eu parei para observar plantas e criaturas que até então nunca havia me dado ao luxo de fazê-lo. Não que eu realmente ache isto importante, mas como eu decidi ontem, apesar de não conhecer todas as criaturas, nada impede que eu coloque em um papel suas características e a densidade que eu consegui encontrar tais criaturas, pois assim aventureiros preparados podem saber o que encontrar pelo caminho, quais frutas, raízes e animais podem servir de alimentação e a facilidade de encontrá-los durante as viagens que forem fazendo.

Acredito que com as Graças dos Deuses os dias começam a ficarem mais frios, principalmente com a aproximação do norte. Aliás, pelos meus cálculos, hoje eu já estou nas terras de ninguém, dentro de áreas sequer bem mapeadas pelos aventureiros. Como era de se imaginar, pelas pesquisas que eu fiz enquanto tinha meus breves momentos de descanso, acredito que não deva existir nenhuma cidade no raio de dois ou três dias desta região.

O número de espécies é consideravelmente alto, e aparentemente não existem rastros de qualquer tipo que possam levar a conclusão da existência de uma cidade, vila ou forte nas proximidades, principalmente pela densidade das matas e pela falta de qualquer tipo de trilha aberta nos últimos meses ou anos.

Ademais, não encontrei nenhum obstáculo intransponível e economizei um de meus mantimentos com a alimentação de algumas raízes comestíveis e muito saborosas que encontrei pelo caminho até aqui. Existem algumas frutas nesta região que eu não encontrei ainda em outras. Outro motivo que me faz acreditar na possibilidade de não existir nenhuma civilização nas proximidades.

Felizmente parece também que os próximos dias não vão ter chuva, e isto com certeza irá permitir que fosse mantido o ritmo da marcha realizada até aqui. Não obstante, pelos meus cálculos, pela posição do terreno e pelo nível de árvores e vegetação na região, acredito que existe um riacho ou rio a aproximadamente seis horas de caminhada de onde estou atualmente.

Vou aproveitar o final do dia e a grande lua cheia que ilumina os céus para subir ao alto de um cume que observo desde a manhã deste dia. De lá, montarei acampamento e farei um pequeno mapa da região, onde farei constar o que encontrei as altitudes do local, e o riacho para o qual devo seguir para encher meu cantil amanhã.

Ah, outra coisa interessante. Descobri que a utilização de alguns itens na camuflagem, somado ao que eu conhecia até então, cheguei a algo realmente bom de camuflagem, e acredito que poderei utilizar para me proteger nos próximos dias de viagem que pretendo seguir.

11 de Ha de 349 EC

Que dia cansativo. A viagem segue como eu planejei desde minha saída da pequena cidade no limite do reino de Irritaria, e provavelmente assim deve continuar pelos próximos dias. Hoje eu subi até o alto do morro que eu havia observado no dia anterior. A visão era perfeita para descrever o lugar. Sinceramente, pelos meus cálculos, eu perdi uma ou duas horas neste local, o que eu posso perfeitamente recuperar correndo um pouco mais amanhã.

A única coisa que posso escrever de observação, no entanto, foi uma maravilhosa flor que eu me dei ao luxo de observar durante pouco menos de uma hora, pois era uma flor tão rara nos dias de hoje, que talvez não volte a encontrar igual senão depois de muita busca. Eis aqui uma nota que valha a anotação, pois pelas informações que tenho sobre tal planta, se pega e armazenada do modo correto, ela poderia salvar a vida de uma pessoa muito doente, pois era utilizada para um composto de remédio muito raro. Pena que tal planta não foi útil para tentar salvar a vida de meu velho pai.

O riacho, conforme eu havia previsto, ficava realmente a menos de algumas horas do local no qual eu estava, o que talvez iria me entristecer quando fosse necessário retornar para sua proximidade e encher meu cantil. Felizmente, para minha surpresa, a poucos metros do local em que eu estava uma bica de água, provavelmente uma dos milhares de fontes que abastassem e servem de nascente para o riacho.

Outro ponto interessante, é que nos últimos quilômetros de minha empreitada eu pude observar pequenas trilhas velhas abertas na região, aumentando a frequência que aparecem conforme eu ia avançando em direção ao norte. Talvez, pelos meus cálculos, algum tipo de civilização deve estar próxima, a uns três ou quatro dias de viagem.

Os animais da região, por exemplo, sentem medo de minha presença e conseguem sentir meu cheiro a uma boa distância. Como eles fogem quando estou próximo, certo deduzir que os animais não são estranhos ao homem, ou seja, eles já conhecem tais criaturas e que esta região, diferente da anterior, já viu humanoides com maior frequência.

Por fim, o dia hoje também foi particularmente gelado. Disto uma coisa eu posso concluir: O norte está próximo!

12 de Ha de 349 EC

Novamente hoje o dia seguiu conforme eu havia previsto. Os dias começam a esfriar, conforme eu sigo em direção ao norte gélido. A vegetação também começa a mudar, começando a alternar entre a vegetação que eu visualizei nos últimos dias, para uma vegetação mais rasteira e típica de uma região gélida. Certo que nos próximos quilômetros eu já adentrarei nas vegetações tipicamente sobreviventes em baixas temperaturas.

Agora pouco eu aproveitei também para criar um esboço sobre os mapas da região. A quantidade de morros e montanhas começa a crescer, o que significa que estou no caminho certo, afinal de contas. A irregularidade do terreno, como era de se imaginar, também começa a pregar peça naqueles que aqui caminham desavisados.

Aos poucos eu estou encontrando porções de neves que demoraram a derreter, o que me permite concluir que esta região mantém um inverno mais rigoroso e longo do que outras regiões. Não obstante, hoje eu vi um animal que há muito tempo eu não visualizava. Era um típico Roté, daquele saltador.

Com isto, além das demais provas que venho visualizando durante o percurso, ainda posso concluir que na região não existe nenhuma vila grande ou ponto de civilização, pois estas criaturas ainda mantém sua habilidade de saltar grandes distâncias, algo que os domesticados já perderam há muito tempo.

Por outro lado, as trilhas durante o percurso estão começando a aumentar, algumas velhas o suficiente para concluir que a muitos anos ninguém passa por ali, outras, no entanto, recentes e marcantes, sendo possível deduzir que algum grupo de exploradores ou caçadores frequenta a região e passa ali com uma certa frequência mensal ou a cada três semanas.

As frutas desta região também estão começando a mudar, com frutas típicas de climas extremamente frios. A frequência com que posso achar tais frutas também está diminuindo, o que me permite acreditar que alguém com frequência passam por estes locais em busca de alimentação. Isto e o fato da falta de criaturas predatórias, como ursos ou grandes felinos caçadores, também me permite acreditar que existe um grupo de patrulha para caçar tais animais e evitar a morte de algum cidadão, camponês ou viajante.

Hoje, diferente dos dias anteriores, eu consigo sentir no ar o cheiro de uma chuva aproximando-se. Provavelmente amanhã irá chover e por isto devo procurar uma rota mais segura.

13 de Ha de 349 EC

Hoje meu sono foi interrompido por uma chuva que iniciou com o raiar do dia. Em função do clima gélido, a chuva era um sinônimo de tortura a qualquer um desprevenido para isto. Eu, no entanto, já sabia da chuva e me preparei para a mesma no dia anterior, como eu até havia escrito neste pequeno diário.

O início da chuva me fez procurar por uma rota mais segura, por meio das árvores remanescentes na região. O terreno elevado também foi um dos meus alvos, pois pelo que eu andei verificando nos últimos dias, uma chuva destas proporções e na surpresa com a qual apareceu, lugares baixos e próximos de riachos poderiam ser surpreendidos com cheias inesperadas, colocando em risco a vida de qualquer desavisado.

Seria importante colocar isto no livro também, pois assim aquele que estiver pesquisando sobre a região, poderá saber que existem algumas chuvas fortes que aparecem de surpresa e que podem causar problemas a pessoas desavisadas, principalmente aquelas próximas de rios, pois a água pode subir rapidamente e afogar qualquer um.

Por outro lado, a chuva também atrasou meu dia de viagem. A neve que encontrei pelo caminho, junto com a terra e a chuva, formam camadas e camadas de barro debaixo de minhas botas, o que acabou em atrasar minha viagem, pois o peso e as condições da lama acabam me “segurando”, não permitindo uma corrida livre o suficiente, além de que é extremamente chata a inconveniência que isto me causa.

Aliás, minhas roupas também estão imundas. Desde que parti eu não tive a oportunidade de tomar um banho digno. Isto, somado ao fato da chuva e o suor das corridas dos últimos dias, me trás uma sensação em meu corpo de podridão da roupa.

Quando chegar a minha cidade natal, farei questão de queimar estas roupas. Agora vou descansar para seguir viagem amanhã.


15 de Ha de 349 EC

Finalmente a chuva que tanto castigava minha viagem nos últimos dois dias acabou. Esta região, gélida, já superou minhas expectativas de chuva. Não pensei que poderia chover tanto em uma região destas, mesmo já tendo residido aqui durante muito tempo em minha vida.

Entretanto, acredito que estas chuvas são consequência do inverno que se aproxima na região, pois o tempo começa a esfriar muito mais do que é possível imaginar para as pessoas que residem ao sul deste grande continente, as quais estão acostumadas com um calor acima da média e pouca, senão quase nenhuma neve, o que lhes permite então utilizar roupas mais frescas e não tão pesadas quanto o povo do norte está acostumado.

Ontem meu dia foi cansativo. Fui obrigado a tomar um grande desvio, algo que me custou meio-dia para retornar ao trajeto original do qual havia traçado. Conforme eu havia previsto, a chuva na região provocou o aumento repentino das águas, e isto fez com que os rios transbordassem as barragens e engolissem algumas pontes construídas pelos vilarejos próximos.

Digo isto pela grande quantidade de lixo que percebi descendo as tumultuadas águas dos rios pelos quais cruzei ontem e hoje. Também observei que a quantidade de trilhas e caminhos abertos na região está aumentando, o que me permitia chegar à conclusão de estar próximo de alguma pequena cidade ou de algum lugar de caça das pessoas da região.

Tanto é verdade que hoje, mais ou menos ao meio dia, eu encontrei alguns rastros de perseguição em relação a caças, sendo ou um pequeno cervo ou algum animal do gênero com casco. Seguindo tal rastro eu encontrei um grupo de caçadores, aparentemente iniciantes, todos descendentes do povo do norte.

Este grupo me recebeu com desconfiança no início, mas quando eu apresentei algo para que eles também pudessem comer e compartilhar sua caça, eles logo tranquilizaram e abaixaram suas armas, parando com as ameaças. Assim, pelo resto do dia eu descansei e compartilhei minha comida com eles, depois bebemos e agora eles descansam, enquanto eu e mais outro jovem ficamos de vigia durante esta noite.

Pelas informações que eles me passaram e os mapas, não muito bem desenhados e fora de escala que eles me passaram, eu consegui perceber que estava próximo de um vilarejo, o qual era o primeiro do grande império do norte, e que pelos meus cálculos, em breve eu já estaria em minha casa, com um ou dois dias de viagem pela frente.

Amanhã de manhã eu irei me despedir deles e seguir meu caminho, deixando mais alguns mantimentos para estes bons homens e os colocando no rastro de uma boa caça para amanhã. Agora vou dormir que a troca de posto se aproxima.

16 de Ha de 349 EC

Hoje eu posso disser que a sorte sorriu em meu caminho. Durante minha viagem, enquanto corria entre as árvores e procurava um ponto alto e seguro para descansar, eu observei ao horizonte uma fumaça subindo, sendo de uma provável queimada ou incêndio no meio da floresta. Pelos meus cálculos, no entanto, eu sabia que aquela região continha uma velha aldeia, e que tal fumaça poderia vir de lá.

Foi então que decidi seguir até o local e tentar ajudar aquelas pessoas.

No caminho, quando eu já conseguia observar a pequena cidade, ou vila, ou vilarejo, eu descobri que não se tratava de tão somente uma cidade pegando fogo, mas sim de um dragão vermelho atacando e matando as pessoas do local, enquanto, ao que parecia para sua diversão ele baforava fogo sobre as casas, crianças e qualquer outra coisa que parecia se mover naquela região.

Digo que a sorte sorriu em meu caminho, pois tal dragão, após acabar com o que parecia ser sua diversão, simplesmente alçou voo e sobrevoou o lugar ao qual eu observava tudo, discretamente. Felizmente, quando eu percebi que ele se dirigia para o meu lado, eu me escondi entre as pedras e ele passou sobre o local, sem me perceber.

Porém, eu não posso dizer o mesmo para as pessoas que moravam nas casas que queimaram. Quando eu cheguei ao vilarejo, nada mais pude observar que chamas, cinzas e coisas queimadas. Aquele dragão fez questão de não deixar nada além de morte e destruição naquela pequena cidade, e eu, mero mortal e sem nenhum equipamento além do necessário para sobreviver, só pude observar aquilo, enquanto lamentava a morte daquelas pessoas provavelmente inocentes.

O destino havia sido cruel com elas. Entretanto, o importante é que aquela não era a vila de meu pai e que em mais um dia de viagem eu já estaria em casa novamente, onde poderia tomar uma boa xícara de chá quente, tomar um banho, trocar minhas roupas e descansar desta que foi uma das maiores viagens de minha vida.




17 de Ha de 349 EC

Dez dias. Dez dias foi o que eu levei para atravessar dois grandes reinos, além de caminhos até então desconhecidos para muitos. Hoje eu chequei ao meu destino, a pequena cidade onde nasci e passei boa parte de minha infância, uma cidade que deixaria qualquer cidadão do sul intrigado por suas belas construções.

Eis aqui uma bela e típica cidade do povo do norte, com suas casas parcialmente construídas sobre o solo, e parcialmente dentro dele, para que no inverno seja mantida sua temperatura.

A casa de meu velho pai continua a mesma. Lógico que maltratada em função do tempo, judiada em função das intempéries do descuidado, mas ali, firme e forte, como meu velho pai sempre foi. Suas portas estavam trancadas com tábuas, suas janelas cerradas por dentro com suportes para não serem abertas.

Entretanto, tudo continuava ali, como sempre foi. Como eu cheguei muito tarde hoje, o mais correto foi procurar por uma boa estalagem aqui na cidade, onde finalmente consegui tomar um banho e trocar a roupa que me acompanhou durante toda a minha viagem, pois afinal de contas, foram dez longos dias em que eu corri, escalei, marchei e caminhei até chegar onde estou agora.

E agora, depois de ter escrito tudo isto, eu vou parar e beber um pouco com meus velhos conterrâneos. Apesar de não parecer, sou um bom descendente Kossoth, e devo compartilhar com meus irmãos minhas histórias, principalmente sobre esta minha viagem, o qual eu passei dez dias para cruzar o reino de Irritária, as terras de ninguém, e boa parte do reino de Brrzengard e chegar finalmente a minha pequena cidade.

Por fim, irei aproveitar este momento e descer para aproveitar o restante do meu dia. Deixo aqui com você, diário, os esboços de mapas e desenhos das regiões pelas quais passeis nos últimos dias, além do relato sobre os animais que encontrei e cacei para conseguir comida.

Não obstante, deixo também minhas anotações sobre quais alimentos encontrei nestas regiões e qual a probabilidade de encontrar alimentação, tudo isto com o intuito de instruir os aventureiros desavisados que passarem a viajar por locais desconhecidos e muitas vezes desbravados, como eu fiz e relatei nestes últimos dias.

This entry was posted on sexta-feira, abril 06, 2012 at 15:52 and is filed under . You can follow any responses to this entry through the comments feed .

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